Cariprazina Alerta sobre risco à saúde
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Nome IUPAC
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N'-[trans-4-[2-[4-(2,3-Dichlorophenyl)-1-piperazinyl]ethyl]cyclohexyl]-N,N-dimethylurea
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Outros nomes
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RGH-188
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Identificadores
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Número CAS
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839712-12-8
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PubChem
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11154555
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ChemSpider
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25999972
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KEGG
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D09997
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SMILES
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- CN(C)C(=O)N[C@H]1CC[C@H](CCN2CCN(CC2)c2cccc(Cl)c2Cl)CC1
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Propriedades
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Fórmula química
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C21H32Cl2N4O
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Massa molar
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427.41 g mol-1
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Página de dados suplementares
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Estrutura e propriedades
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n, εr, etc.
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Dados termodinâmicos
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Phase behaviour Solid, liquid, gas
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Dados espectrais
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UV, IV, RMN, EM
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Exceto onde denotado, os dados referem-se a materiais sob condições normais de temperatura e pressão Referências e avisos gerais sobre esta caixa. Alerta sobre risco à saúde.
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A cariprazina (nomes comerciais: Vraylar, Reagila, entre outros) é um antipsicótico atípico usado no tratamento da esquizofrenia, episódios maníacos[1] e depressivos do transtorno bipolar.[2] Atua principalmente como agonista parcial dos receptores D2 e D3 de dopamina, com seletividade maior para o receptor D3.[3] Os resultados positivos dos ensaios clínicos de Fase III para tratamento esquizofrenia e mania foram publicados em 2012, e para transtorno bipolar tipo I depressão de um estudo de Fase II em 2015.[4][5] Também é potencialmente útil como terapia complementar no transtorno depressivo maior.[6]
Nos Estados Unidos, a droga foi aprovada para comercialização pela FDA em 17 de setembro de 2015.[7]
Usos médicos
A cariprazina é usada para tratar esquizofrenia e episódios maníacos, depressivos ou mistos associados ao transtorno bipolar I.[8] Em estudo randomizada, a cariprazina melhorou consistentemente os sintomas depressivos em um espectro de pessoas com depressão bipolar I,[9] e tem sido considerada um tratamento eficaz e bem tolerado para a doença.[10]
Efeitos colaterais
Os efeitos colaterais costumam aparecer dentro de um dia após o início da administração de cariprazina.[11] Os mais comuns da incluem acatisia e insônia . A cariprazina não parece afetar os níveis de prolactina e, ao contrário de outros antipsicóticos, como o haloperidol, não prolongou o intervalo QT em exames via eletrocardiograma (ECG). Em ensaios clínicos de curta duração foram observados efeitos extrapiramidais, sedação, acatisia, náuseas, tonturas, vómitos, ansiedade e obstipação. Uma revisão caracterizou a frequência desses eventos como "não muito diferente daquela observada em pacientes tratados com placebo",[12] mas em outra revisão de literatura a incidência de distúrbios do movimento foi classificada como "muito alta".[13][14]
Mais estudos são necessários para a avaliação dos efeitos colaterais; e as caixas do fármaco acompanham a mensagem de que a "possibilidade de alterações lenticulares ou catarata não pode ser excluída neste momento".[11]
Farmacologia
Farmacodinâmica
Cariprazina[15][8]
Local
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Ki (nM)
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IA (%)
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Açao
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5-HTHT1A
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2.6
|
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Agonista parcial
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5-HTHT2A
|
18,8
|
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Antagonista
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5-HT2B
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0,58
|
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Antagonista
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5-HT2C
|
134
|
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Agonista inverso
|
5-HT7
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111
|
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Antagonista
|
α1A
|
155
|
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Antagonista
|
D2
|
0,49
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~40%
|
Agonista parcial
|
D2
|
0,69
|
~40%
|
Agonista parcial
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D3
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0,085
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~60%
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Agonista parcial
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H1
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23.2
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Antagonista
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mACh
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>1.000
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Antagonista
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Quanto menor o valor de Ki, mais fortemente o fármaco se liga ao sítio; IA = atividade intrínseca.
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A cariprazina se difere dos antipsicóticos que são antagonistas dos receptores D2 e 5HT-2A, atuando como agonista parcial parcial dos receptores D2 e D3 de doaina. Também tem uma maior afinidade para os receptores D3.. Os receptores D2 e D3 são alvos importantes para os estudos de tratamento da esquizofrenia, pois a super-estimulação dos receptores de dopamina foi associada em ensaios como uma das possíveis causas de esquizofrenia.[16]
A cariprazina atua inibindo os receptores de dopamina (agindo como antagonista) e estimulando os mesmos receptores quando os níveis endógenos de dopamina estão baixos. A alta seletividade da cariprazina em relação aos receptores D3 foi associada aos efeitos colaterais mais brandos se comparado a outras drogas antipsicóticas, visto que os receptores D3 estão situados sobretudo no corpo estriado ventral e não se relacionam aos efeitos motores e extrapiramidais dos medicamentos que atuam na região do corpo estriado .[17]
A cariprazina também atua nos receptores 5-HT-1A, embora a afinidade seja consideravelmente menor do que a afinidade com os receptores de dopamina, como observados em estudos aplicados em macacos e ratos).[17][18] Nos mesmos estudos, observou-se que a cariprazina produz efeitos que melhoram a cognição, cujos mecanismos estão sob investigação. Um exemplo de efeito pró-cognitivo ocorreu em ensaios pré-clínicos com ratos: os ratos que receberam cariprazina tiveram melhor desempenho em um teste de memória e aprendizado no labirinto aquático de Morris. O efeito parece estar associado ao mecanismo de ação sobre os receptores de dopamina, embora mais estudos precisem ser realizados.[17] Este resultado pode ser muito útil para a esquizofrenia, pois um dos sintomas inclui déficits cognitivos.
Farmacocinética
A cariprazina tem alta biodisponibilidade oral e pode atravessar facilmente a barreira hematoencefálica em humanos por ser lipofílica.[5] Em ratos, a biodisponibilidade oral foi de 52% (com uma dose de 1 mg/kg).[14]
A cariprazina é metabolizada sobretudo pela isoenzima do citocromo P450 3A4 (CYP3A4), com metabolismo menor pela enzima CYP2D6. A cariprazina não induz a produção de CYP3A4 ou CYP1A2 no fígado e inibe de forma fraca e competitiva o CYP2D6 e o CYP3A4.[8]
Pesquisas clínicas
A cariprazina ainda é objeto de estudos por seu potencial como tratamento adjuvante na depressão resistente ao tratamento (depressão refratária),[8] embora os primeiros resultados não tenham sido positivos.[19]
Referências
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- ↑ Earley W1; Burgess MV1; Rekeda L1; Dickinson R1; Szatmári B1; Németh G1; McIntyre RS1; Sachs GS1; Yatham LN1 (2019). «Cariprazine Treatment of Bipolar Depression: A Randomized Double-Blind Placebo-Controlled Phase 3 Study». American Journal of Psychiatry. 176 (6): 439–448. PMID 30845817. doi:10.1176/appi.ajp.2018.18070824
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- ↑ «Safety and Efficacy of Cariprazine As Adjunctive Therapy In Major Depressive Disorder». ClinicalTrials.gov. U.S. National Library of Medicine. Consultado em 6 de dezembro de 2018
- ↑ «FDA approves new drug to treat schizophrenia and bipolar disorder» (Nota de imprensa). U.S. Food and Drug Administration. 17 de setembro de 2015. Consultado em 16 de dezembro de 2019. Arquivado do original em 26 de janeiro de 2018
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