Raul Carrion
Raul Kroeff Machado Carrion (Porto Alegre, 22 de dezembro de 1945) é um historiador, sindicalista, escritor e político brasileiro.[1] Foi vereador de Porto Alegre e duas vezes Deputado estadual do Rio Grande do Sul, tendo militado por mais de 50 anos no Partido Comunista do Brasil (PCdoB).[2] BiografiaRaul Carrion, nasceu na cidade de Porto Alegre no dia 22 de dezembro de 1945, filho da professora Erna Maria Kroeff Carrion e do advogado Francisco Machado Carrion que foi professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).[3] Fez seu ensino fundamental e médio, em escolas tradicionais do Rio Grande do Sul, como o Colégio Farroupilha e o Colégio Anchieta.[4] Ingressou na militância política com 17 anos, inspirado pelas movimentações pelas Reformas de base do então presidente João Goulart, entrando para o movimento de esquerda cristã, chamado Ação Popular.[5][6] Após passar no vestibular, ingressou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no ano de 1964 para o curso de Engenharia química. Logo começou a entrar em contato com a militância dentro da universidade, em diretórios acadêmicos e na União Nacional dos Estudantes (UNE).[1] Em 1967, abandonou o curso de engenharia química para dedicar-se a vida política e dos movimentos sindicais de Porto Alegre, como associou-se aos sindicatos dos transportes e dos metalúrgicos.[4] No ano de 1969, conseguiu um emprego, então, em uma fábrica de componentes de calçados, como operador de máquina na cidade Novo Hamburgo. Lá participou de organizações sindicais. [4] Também nesse ano, com a incorporação da Ação Popular-ML ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Carrion tornou-se militante do partido.[7] Em 1970, reingressou na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mas nessa vez para cursar Química.[4] Em 1971, devido a sua militância política e sindical, Carrion foi preso pela Ditadura militar brasileira.[8] Por conta disso, teve que abandonar seu curso e parar com os estudos.[9] No DOPS, foi submetido a torturas como o pau de arara e a choques elétricos, após ter sido acusado de ser propagandista do PCdoB e supostamente ter entregue munição para outro militante do partido.[10] Após a liberação das torturas, exilou-se ao Chile, onde possuía um cunhado. [4] Lá, buscou ajuda de um professor da UFRGS, Professor Ernani Maria Fiori da área de Filosofia que tinha sido expulso e cassado da faculdade por conta de suas posição políticas. [11] Fiori, dava aula na Pontifícia Universidade Católica do Chile, e conseguiu uma vaga para Carrion, no curso de química.[4] Em 1970, com o golpe de Augusto Pinochet no Chile, que destituiu o então presidente do partido socialista, Salvador Allende, Carrion teve de ir para a Argentina em busca de asilo político.[12] Após ter-se casado no Chile, ficou na clandestinidade na Argentina, organizando o partido de lá. Com o golpe em 1976 de Jorge Rafael Videla no país, Carrion volta ao Brasil, na clandestinidade para Goiânia. Sua esposa não conseguiu voltar e permaneceu na Argentina. [13] Somente, em 1979, veio a Lei da Anistia e sua esposa conseguiu voltar para o Brasil em segurança em juntos o casal voltaram a Porto Alegre.[1] Durante, os anos de 1980, Carrion ingressou no trabalho de metalurgia, onde organizou-se sindicalmente onde passou por diversas imprensas do ramo da eletrônica e da metalurgia e também participou da campanha das Diretas Já.[14] Após a ditadura chegar ao seu fim, nas eleições de 1986, Carrion foi lançado candidato do PCdoB ao Senado. Porém, seu suplente José Loguércio ainda não havia completado 35 anos e a chapa indeferida.[4] Em 1988, candidatou-se pelo PCdoB a prefeitura de Porto Alegre, em chapa composta com José Loguércio, porém obtiveram apenas 2 671 votos, sendo o candidato menos votado daquela ocasião.[15] Em 1989, percorreu o Rio Grande do Sul, fazendo campanha para Luiz Inácio Lula da Silva tornar-se presidente contra Fernando Collor de Mello.[16] Em 1992, concorreu ao cargo de vereador de Porto Alegre, mas foi 1º suplente e exerceu a vereança em algumas oportunidades.[17] Em 1996, voltou aos estudos e prestou o vestibular da UFRGS para o curso de História. Formou-se em 1998, e por sua sugestão sua turma recebeu como paraninfo o economista e líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile. [4] Sua tese de conclusão de curso, foi "O Partido Comunista do Brasil no Rio Grande do Sul - 1922-1929".[18] Em 2000, foi candidato a vereador de Porto Alegre, sendo eleito com 8.405 votos.[19] A sua coligação organizava os partidos Partido dos Trabalhadores (PT), PCdoB,Partido Socialista Brasileiro (PSB) e Partido Comunista Brasileiro (PCB), que elegeu Tarso Genro para prefeito da cidade.[20] Em 2004, foi candidato a reeleição ao cargo de vereador, recebendo 11.651 votos, o quarto candidato mais bem votado daquele pleito.[21] O PCdoB, elegeu mais quatro vereadores nesse pleito, Pedro Dias, Arthur Bloise e Manuela d'Ávila.[21] Nesse eleição, o PCdoB coligou-se com o PT pelo candidato Raul Pont que foi derrotado por José Fogaça do Partido Popular Socialista (PPS).[22] Em 2006, por decisão do partido, foi candidato ao cargo de Deputado Estadual no qual foi eleito com 41.549 votos.[23][24] Em 2010, foi candidato a reeleição para o cargo de deputado estadual e foi novamente eleito com 34.791 votos.[25][26] Em 2010, foi um dos Deputados Estaduais do Rio Grande do Sul que votou a favor do aumento de 73% nos próprios salários em dezembro, fato esse que gerou uma música crítica chamada "Gangue da Matriz" composta e interpretada pelo músico Tonho Crocco, que fala em sua letra os nomes dos 36 deputados (inclusive o de Raul Carrion) que foram favoráveis a esse autoconcedimento salarial;[27] Giovani Cherini como presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul na ocasião entrou com uma representação contra o músico, Cherini falou que era um crime contra honra e o título era extremamente agressivo e fazia referência a criminosos que mataram o jovem Alex Thomas, na época Adão Villaverde que se tornou o sucessor na presidência da Assembleia Legislativa, expressou descontentamento discordando da decisão de Cherini,[28] mas em agosto do mesmo ano o próprio Giovani Cherini ingressou com petição pedindo o arquivamento contra o músico com a alegação que não era vítima no processo (seu nome não aparecia na letra, pois como presidente do parlamento gaúcho na ocasião não podia votar) e que defendia a liberdade de expressão,[29] na época Tonho recebeu apoio de uma loja que espalhou 20 outdoors pela capital Porto Alegre e também imenso apoio por redes sociais.[30] Já em 2013, fez um balanço de sua carreira política e decidiu por não concorrer novamente a reeleição e disputar novos pleitos.[31] Porém, afirmou que não ia abandonar sua militância política. [31] Em 2019, lançou sua autobiografia "Raul Carrion – A Luta Vale a Pena!" publicado pela editora Anita Garibaldi.[32][33] Livros publicados
Referências
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