Messier 4
Messier 4 (NGC 6121) é um aglomerado globular de estrelas na constelação de Escorpião, descoberto pelo astrônomo suíço Jean-Philippe de Chéseaux. Foi catalogado pelo astrônomo francês Charles Messier em 1764, que foi o primeiro a reconhecer o objeto astronômico como um aglomerado globular, o primeiro descoberto da história. Tem magnitude aparente 7,1, não sendo possível observá-lo a olho nu, mas com o uso de binóculos e pequenos telescópios é possível identificá-lo como uma pequena mancha nebulosa e difusa. Suas estrelas mais brilhantes são vistas apenas com o uso de telescópios maiores. Está a uma distância de cerca de 33 900 anos-luz em relação à Terra e sua idade foi estimada em 12,2 bilhões de anos. Localiza-se a apenas 1,3° a leste de Antares, a estrela amarelada e a mais brilhante da constelação de Escorpião. Descoberta e visibilidadeMessier 4 foi descoberto por Jean-Philippe de Chéseaux em 1745 ou 1746, que listou-o como a décima nona entrada de seu catálogo. Também foi a entrada I.9 do catálogo de Nicolas Louis de Lacaille. O astrônomo francês Charles Messier decidiu catalogar o objeto em 8 de maio de 1764 e foi o primeiro a perceber que não era uma nebulosa, como se pensava até então, mas sim um aglomerado globular, quando Messier resolveu suas estrelas mais brilhantes, se tornando o primeiro aglomerado globular descoberto da história.[1] Pode ser facilmente encontrado na esfera celeste, a apenas 1,3° a oeste de Antares, a estrela vermelha e a mais brilhante da constelação de Escorpião. É visível como uma mancha difusa e circular em binóculos, e um telescópio de 0,25 metros de abertura pode resolver suas estrelas mais brilhantes, de magnitude aparente 10,8. Nesses telescópios, também é possível observar a estrutura barrada do núcleo do aglomerado.[1] CaracterísticasO aglomerado está a uma distância de apenas 7 200 anos-luz da Terra, considerado o aglomerado globular mais próximo da Terra até 2007, quando a distância do aglomerado FSR 1767 foi estimada em apenas 4 900 anos-luz da Terra. Chama a atenção uma estrutura em "barra" em seu núcleo, incomum para aglomerados globulares, visível em telescópios amadores. Consiste-se de estrelas de magnitude aparente 11 e tem cerca de 2,5 minutos de arco de comprimento aparente e foi primeiramente observada por William Herschel, descobridor de Urano, em 1783. Pelo menos 43 estrelas variáveis foram observadas no aglomerado. Segundo Harlow Shapley, essa estrutura barrada é devido à forma ligeiramente elispodal do aglomerado, embora essa característica não seja observada em fotografias CCD de longa exposição.[1] Sua magnitude absoluta faria do aglomerado um dos objetos mais brilhantes do céu noturno se não houvesse densas nuvens interestelares que obscurece o objeto e dá-lhe um aspecto avermelhado. Seu diâmetro aparente é de cerca de 36 minutos de arco, mais do que a Lua Cheia (30 minutos), o que corresponde a um diâmetro real de 75 anos-luz. Seu raio de influência gravitacional é de 70 anos-luz. Juntamente com o aglomerado globular NGC 6397. Tem uma idade estimada em 12,2 bilhões de anos.[2][1] É um aglomerado globular pouco denso, pertecente à classe IX em densidade segundo a classificação de Shapley e de Helen Sawyer Hogg, onde a classe I corresponde a aglomerados globulares muito densos, enquanto a classe XII corresponde aos menos densos. Seu núcleo tem um diâmetro de 3,6 anos-luz e seu raio de massa média (raio que compreende a metade da massa do aglomerado, a partir de seu núcleo) é de 8 anos-luz. Está se afastando radialmente da Terra a uma velocidade de 70,4 km/s e contém pelo menos 43 estrelas variáveis. Pertence à classe espectral F8 e seu índice de cor foi determinado em B-V = 1,03.[1] Em Astronomia, a abundância outros elementos diferentes do hidrogênio e do hélio é chamada de metalicidade, e é normalmente denotada pela razão de abundância do ferro em relação ao hidrogênio, comparados à razão encontrada no Sol. Para este aglomerado, a abundância medida de ferro é igual a: Este valor é o logaritmo da razão do ferro em relação ao hidrogênio, relacionado à mesma razão em relação ao Sol. Assim sendo, o aglomerado tem uma abundância de ferro igual a 8,5% da abundância de ferro no Sol. Baseado nessas medidas de abundância, há evidências de que o aglomerado hospeda duas populações estelares distintas. Cada uma das populações é um grupo de estrelas que se formaram ao mesmo tempo. Portanto, o aglomerado pode ter sofrido dois ciclos separados de formação estelar.[3] O aglomerado se movimenta uma velocidade de aproximadamente (201 ± 23) quilômetros por segundo. Orbita o centro da Via-Láctea a cada (116 ± 3) milhões de anos e tem uma excentricidade de (0,80 ± 0,03). Durante o perigaláctico (menor distância orbital em relação ao centro da Via-Láctea), o aglomerado está a cerca de (600 ± 100) parsecs do núcleo Galáctico, e no apogaláctico (maior distância), o aglomerado se afasta para (5 900 ± 300) parsecs. A inclinação orbital do aglomerado é de (23 ± 6)° em relação ao plano galáctico.[4] Quando passa pelo plano galáctico, o aglomerado nunca está alem de 5 quiloparsecs do núcleo da Via-Láctea e a cada passagem, o aglomerado sofre choques de maré, que causa repetidas perdas de estrelas, o que pode significar que o aglormerado já foi muito mais maciço no passado.[3] Estrelas notáveisFotografias tomadas pelo Telescópio Espacial Hubble em 1995 revelaram anãs brancas no aglomerado que estão entre as mais velhas estrelas conhecidas na Via-Láctea, com cerca de 13 bilhões de anos de idade. Uma dessas anãs brancas faz parte de um sistema binário, com um pulsar como companheiro, PSR B1620-26, com um planeta que orbita a anã branca com massa 2,5 maior do que a massa de Júpiter. Em 1987, um pulsar milissegundo foi descoberto no aglomerado, com um período de rotação de apenas três milissegundos, dez vezes mais rápido do que o Pulsar do Caranguejo.[1]
Ver tambémGaleria
Referências
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