José Ribeiro Santos
José António Ribeiro Santos (Lisboa, 19 de Março de 1946 — Lisboa, 12 de Outubro de 1972), conhecido como Ribeiro Santos, foi um estudante português. Foi assassinado por um agente da polícia política devido à sua oposição ao regime ditatorial, tendo-se tornado num ícone do movimento estudantil contra o governo, até à Revolução de 25 de Abril de 1974, que restaurou a democracia em Portugal.[1][2][3][4] BiografiaPrimeiros anosNasceu em 19 de Março de 1946, na cidade de Lisboa, sendo filho de Maria Antónia Leitão Ribeiro Santos e do médico Vasco Artur Ribeiro Santos.[5] Estudou na escola Avé Maria e depois no Liceu Pedro Nunes, onde começou o seu envolvimento na oposição académica ao regime.[5] Em 1965, passou a frequentar a Faculdade de Direito de Lisboa, num ano de grandes manifestações estudantis, que foram violentamente reprimidas pelo regime.[5] Estas voltaram a ganhar força em 1967, na sequência das grandes cheias de Lisboa, e em 1968, como parte de um movimento internacional de estudantes[5], acrescido em Portugal de uma luta contra a guerra colonial. Activismo político e assassinatoEm 1972, Ribeiro Santos integra-se na Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas (FEM-L), a organização estudantil do Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado.[5] Em conjunto com outros colegas, formou o movimento Ousar Lutar, Ousar Vencer.[5] Devido à violenta repressão das autoridades, com o encerramento de várias associações de estudantes, Ribeiro Santos utilizou muitas vezes a sua casa como local de reuniões, onde se planeavam os próximos passos a dar contra a opressão do regime.[5] Assim, foi organizado um encontro de estudantes contra a repressão, que teria lugar a 12 de Outubro desse ano num pavilhão pré-fabricado no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras.[5] Porém, antes de se iniciar a reunião, os estudantes detiveram um indivíduo no interior da escola, devido à suspeita de que seria um agente infiltrado, tendo alguns chamado a Direcção-Geral de Segurança para fazer a identificação desse indivíduo.[5] Porém, a presença dos agentes na escola provocou indignação entre os estudantes, que avançaram contra eles.[5] Um dos agentes, Gomes da Rocha, puxou da arma e disparou contra os estudantes, atingindo Ribeiro Santos nas costas, e José Lamego, que o tentou impedir de disparar, numa perna.[4] Ribeiro Santos é imediatamente levado pelos estudantes de medicina para o Hospital de Santa Maria, onde faleceu na sala de observações, aos 26 anos de idade.[5] O seu funeral, que teve lugar dois dias depois, foi marcado por grandes manifestações contra o regime ditatorial e as forças da ordem.[5] Com efeito, apesar de ter sido marcado um carro funerário, os antigos colegas de Ribeiro Santos decidiram levar o caixão num desfile desde a casa dele até à Ajuda, mas esta tentativa foi gorada pelas forças policiais, que investiram contra os estudantes.[4] Deste incidente resultaram vinte presos e vários feridos, incluindo alguns agentes da polícia.[4] Na noite após o funeral, continuaram a verificar-se distúrbios, tendo sido atacadas algumas agências bancárias e a embaixada dos Estados Unidos da América.[4] José Lamego, que inicialmente conseguiu fugir, acabou por ser preso e alvo de interrogatório, levando a protestos no hospital da prisão de Caxias, com vários prisioneiros a fazerem greve de fome.[4] Apesar de estarem doentes, alguns destes foram transportados para Peniche.[4] Nos dias após o funeral, verifica-se uma paralisação quase total da Universidade Técnica de Lisboa, e continuam as manifestações académicas, tendo o governo ordenado a captura dos dirigentes das Associações de Estudantes de Ciências e do Instituto Superior Técnico.[4] A cidade de Lisboa fica sob forte vigilância, e os agentes da Direcção-Geral de Segurança fazem buscas nas residências dos dirigentes associativos, dos quais um grande número ficou preso em Caxias.[4] Ainda assim, em Novembro continuaram a ser organizadas greves de estudantes, e o novo responsável pelo Instituto Superior Técnico, Sales Luís, decidiu encerrar aquele estabelecimento de ensino, seguido das Faculdades de Farmácia e de Letras.[4] Aumentou o número de expulsões e suspensões entre os estudantes, e muitos que já estavam suspensos foram integrados no exército, com destino às colónias.[4] A contestação atingiu igualmente o ensino secundário, tanto na capital como no Porto, tendo o Movimento Associativo dos Estudantes do Ensino Secundário de Lisboa (MAESL) decidido que iria impedir fisicamente os funcionários de remover os cartazes relativos ao assassinato de Ribeiro Santos.[4] O agente responsável pelo seu assassinato não chegou a ser levado a julgamento, embora tenha sido preso em Alcoentre após a Revolução dos Cravos, tendo sido um dos elementos da famosa fuga de elementos da PIDE, no dia 29 de Junho de 1975.[5] HomenagensDepois da Revolução de 25 de Abril de 1974, o nome de Calçada Ribeiro Santos foi atribuído à rua onde viveu. Em 2012 foi colocada pela Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa uma placa comemorativa na casa que habitou.[5] Ribeiro Santos também foi homenageado na toponímia dos concelhos de Loures (Rua Ribeiro Santos, Santo Antão do Tojal), Seixal (Praça José Ribeiro Santos, Santa Marta do Pinhal, Corroios) e Vila Franca de Xira (Largo Ribeiro Santos, Póvoa de Santa Iria).[6] O nome de Ribeiro Santos também é homenageado no Infantário Popular Ribeiro Santos (Av. Almirante Reis nº 70 r/c dt., 1º e 2º esq, Lisboa), fundado em Abril de 1975[7] e na Residência Universitária Ribeiro Santos. [8] Em 2022, a jornalista Diana Andringa realizou o documentário 12 de Outubro de 1972: O Dia em que Perdemos o Medo, sobre as repercussões do assassinato. [9][10] Referências
Ligações externas
|