Forte de São Gabriel da Cachoeira
O Forte de São Gabriel da Cachoeira localizava-se no morro da Fortaleza, à margem esquerda do alto rio Negro, afluente da margem esquerda do rio Amazonas, atual cidade e município de São Gabriel da Cachoeira, no estado do Amazonas, no Brasil. HistóriaAntecedentesAs primeiras descrições da região do Alto Rio Negro e seus recursos, remontam à passagem da expedição de Pedro Teixeira em 1639, pelo seu cronista, o padre jesuíta espanhol Cristóbal de Acuña. Ao final desse século, em 1695, missionários carmelitas venciam as corredeiras para catequizar os indígenas do rio Uaupés, do rio Tiquié e do rio Içana, alargando os domínio da Coroa Portuguesa até às fronteiras com as atuais Colômbia e Venezuela. Em consequência do Tratado de Madrid (1750), e do estabelecimento da Capitania de São José do Rio Negro (1755), com a finalidade de controlar os descimentos indígenas e de delimitar os domínios de Portugal na região, foram organizadas diversas expedições para patrulhar e fortificar o Alto Rio Negro. O governador da capitania, Tenente-coronel Gabriel de Souza Filgueiras (1760-1761), conforme deliberação de 23 de Maio de 1761, enviou para a área o capitão José da Silva Delgado à frente de um pequeno destacamento, com a missão de fortificá-la. Ao final desse mesmo ano, o destacamento instalou-se na aldeia de Curucui, erguendo (ou reerguendo) um fortim em uma das ilhas existentes (ilha Adana?), a partir do qual prosseguiu subindo o curso rio e tomando posse das aldeias de São José, São Pedro, Santa Maria e Santa Bárbara, e fundando outras, como as de São José Batista, na foz do rio Xié, Santa Isabel, na foz do rio Uaupés (Cuiarí), Senhor da Pedra, na cachoeira Caioba, Nossa Senhora de Nazaré, na ilha de São Gabriel, São Sebastião e São Francisco, na cachoeira do Vento e Santo Antônio, no rio Mariuá. A povoação, que remontava a 1759, viria a ser elevada a vila em 1833 com o nome de São Gabriel, em homenagem aquele governador. OLIVEIRA (1968) refere que Delgado construiu uma casa-forte na ilha de São Gabriel, e fundou a povoação de Nossa Senhora da Nazaré da Curiana em terra firme. Filipe Sturm chamou a essa casa-forte "Presídio da ilha de S. Gabriel". Terá sido transformado mais tarde em uma vigia (OLIVEIRA denomina-a de "guarita"), com dois pavimentos, pelo Capitão Simão Coelho Peixoto. Esta, por sua vez, foi destruída por um incêndio (26 de setembro de 1762), deixando a sua guarnição desabrigada. O forteCom o falecimento do governador Souza Filgueiras (7 de Setembro de 1761), assumiu interinamente o governo da capitania o Coronel Nuno da Cunha Ataíde Varona, que transmitiu o poder ao Coronel Valério Correia Botelho de Andrade (24 de Dezembro de 1761). Este Oficial compreendeu que o fortim erguido pelo capitão José da Silva Delgado não atendia às necessidades de defesa e, expondo a situação ao governador e capitão-general do Estado do Grão-Pará e Maranhão, Manuel Bernardo de Melo e Castro (1759-1763) e solicitando a construção de um reduto mais sólido, capaz de impor a soberania Portuguesa face às investidas espanholas na região. Desse modo, em 1762 partiu de Belém do Pará o capitão Phillip Sturm, engenheiro militar alemão a serviço de Portugal, com instruções para atender às solicitações de Botelho de Andrade. No local, Sturm recomendou a mudança do local do forte para posição dominante em terra firme, salientando as melhores condições para a construção e a maior facilidade para a sua defesa, tanto a montante quanto a jusante do rio. A construção iniciou-se em Janeiro de 1763. Em correspondência datada de 28 de Julho do mesmo ano relatou ao novo governador:
Devido ao material empregado, o forte encontrava-se deteriorado já em 1770, ano em que o governador e Capitão-general do Estado do Grão-Pará e Maranhão, Fernão da Costa de Ataíde Teive Sousa Coutinho (1763-1772), determinou reconstruí-lo em pedra, abundante na região, atendendo aos relatórios do capitão Sturm sobre o estado da fortificação. Os trabalhos de reconstrução iniciaram-se em 1775, sendo a nova estrutura posteriormente ilustrada[1] e descrita por Alexandre Rodrigues Ferreira:
No mesmo período, o governador da Capitania do Rio Negro, Manuel da Gama Lobo D'Almada, criticou a guarnição dos dois fortes do rio Negro:
A informação mais completa sobre a estrutura, no segundo quartel do século XIX, é a de BAENA (1839):
Posteriormente, em 1854, o major Hilário Maximiano Antunes Gurjão voltou a criticar a escolha do local do forte, dominado pela colina pelo lado de terra, relatando que o mesmo se encontrava artilhado com cinco peças de 6 e 3 de calibre 4, em bom estado. (OLIVEIRA, 1968:754) O Relatório do Presidente da Província, de 1877, acusa-lhe o abandono e o desarmamento. (OLIVEIRA, 1968:754) BARRETTO complementa que, à época (1958), a localidade se denominava Uaupés (op. cit., p. 51). Na realidade designou-se dessa forma entre 1943 e 1952. REIS informa que as pedras remanescentes das suas muralhas foram reaproveitadas para a construção da igreja, do hospital e da escola da Missão dos Salesianos, em São Gabriel, na década de 1930. (OLIVEIRA, 1968:754) Actualmente o forte encontra-se desaparecido, tendo subsistido vestígios de seus alicerces em forma de ferradura. O local encontra-se ocupado pela Companhia de Saneamento do Amazonas (COSAMA). Da primitiva artilharia do forte, quatro peças encontram-se frente ao edifício do Fórum da sede do município e uma quinta ornamenta a entrada do Comando de Fronteira Rio Negro/5º Batalhão de Infantaria de Selva (CFRN/5o BIS), que ostenta a denominação histórica de "Batalhão Forte São Gabriel". Não há notícia das demais peças. Notas
Bibliografia
Ver tambémLigações externas
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